quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Questões de Vestibular

Questões de Vestibular
Língua Portuguesa
1 – Podemos apontar características barrocas em todos os trechos abaixo, exceto:a) Pequei, senhor: mas não porque hei pecado,Da vossa alta piedade me despido:Antes, quanto mais tenho delinqüido,Vos tenho a perdoar mais empenhado.
b) Adeus, cabana, adeua; adeus, ó gado;Albina ingrata, adeus, em paz te deixo;Adeus, doce rabil; neste alto freixoTe fica, ao meu destino consagrado.
c) Nesta tragédia da vanglória humanaNunca entra o bem, o mal sempre é figura
d) Vista por fora é pouco apetecidaPorque dos olhos por feia é parecidaPorém dentro habitadaÉ muito bela, muito desejada,É como a concha tosca e deslustrosa,Que dentro cria a pérola fermosa.
e) Goza, goza da flor da mocidade,que o tempo trata a toda a ligeireza,e imprime em toda flor sua pisada
2 – Seus livros, aprofundando uma tendência capital das obras da aprendizagem, abandonaram a descrição da natureza e concentraram seu interesse na análise do homem e não mais do brasileiro em particular. Suas personagens perderam a inteireza e uniformidade de caráter. Tornaram-se fragmentárias e incoerentes. A revolução de sua obra desloca, radicalmente, o interesse do cenário e da ação para o íntimo dos personagens.(Ivan Teixeira, adaptado)
O trecho acima está se referindo ao autor de:a) Inocênciab) Iracemac) Contos Novosd) Dom Casmurroe) A Moreninha
3 – O foco narrativo em terceira pessoa confere ao narrador onisciência e, assim, grande autoridade. Uma das características da prosa de ficção do século XX é o questionamento da sabedoria onisciente do narrador. Em Laços de Família, de Clarice Lispector, a voz das personagens comumente interferem na narração – fluxo psíquico da personagem.Assinale a alternativa em que não há essa interferência da personagem no discurso do narrador.
abraçou o filho quase a ponto de machucá-lo. Como se soubesse de um mal – o cego ou o belo Jardim Botânico? – agarrava-se a ele, a quem queria acima de tudo. Fora atingida pelo demônio da fé. A vida é horrível, disse-lhe baixo, faminta. O que faria se seguisse o chamado do cego? Iria sozinha... Havia lugares pobres e ricos que precisavam dela. (“Amor”)
Era uma galinha de Domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã. Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. (“Uma Galinha”)
Era a tristeza. O dedos do pé a brincaram com a chinela. O chão lá não está muito limpo. Que relaxada e preguiçosa me saíste. Amanhã não, porque não estaria lá muito bem das pernas. (“Devaneio e Embriaguez de uma Rapariga”)
Todos olharam a aniversariante, compungidos, respeitosos, em silêncio. Pareciam ratos se acotovelando, a sua família. Os meninos, embora crescidos – provavelmente já além dos cinqüenta anos, que sei eu! – os meninos ainda conservavam os traços bonitinhos. (“Feliz Aniversário”)
Ninguém mais pode te amar senão eu, pensou a mulher rindo pelos olhos; o peso da responsabilidade deu-lhe à boca um gosto de sangue. Como se “mãe e filha” fosse vida e repugnância. Não, não se podia dizer que amava sua mãe. Sua mãe lhe doía, era isso. (“Laços de Família”)


4 – Memórias de um Sargento de Milícias é uma obra inovadora para sua época. Indique a afirmação que não se refere a esse romance:a) Apresenta o realismo de inspiração – a procura da verdade histórica, da reconstituição verídica do local, dos trajes, dos costumes.
b) Registra com fidelidade o português popular da época, uma linguagem direta e natural, que se afasta constantemente da norma gramatical, empregando, por exemplo, o verbo haver (no sentido de existir) pessoal, ou fazendo colocações pronominais distantes de rigorismos normativos.
c) Possui um narrador que intervém na história, sublinhando sua presença em comentários ou diálogos com o leitor, usando um tom irônico ou debochado.
d) Rompe com o Romantismo e seus padrões, principalmente na criação do anti-herói e sua variada galeria de tipos populares.
Romance de costumes realista, repudia a visão sentimentalista do amor, do casamento e do final feliz.


5 – Todas as alternativas apresentam trechos do romance Iracem, de José de Alencar. Assinale aquela em que a relação harmônica entre homem e natureza determina a construção da imagem:
Verdes mares bravios de minha terra onde canta a jandaia.
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
A jandaia cantava ainda no olho do coqueiro; mas não repetia o mavioso nome de Iracema.
A alvorada abriu o dia e os olhos do guerreiro branco. A luz da manhã dissipou os sonhos da noite, e arrancou de sua alma a lembrança do que sonhara.
Os guerreiros tabajaras, acorridos à taba, esperavam o inimigo...


6 – “... seus traços de relevo: o gosto da descrição nítida (a mimese pela mimese), concepções tradicionalistas sobre metro, ritmo e rima e, no fundo, o ideal de impessoalidade que partilhavam com os realistas do tempo.” (Alfredo Bosi)
O perfil acima descrito é evidente nas obras do autor de:a) Os Timbirasb) Lira dos Vinte Anosc) Via Láctead) Vozes da América e) Espumas Flutuantes
7 – Os textos abaixo são característicos de um mesmo estilo de época, exceto:
Eu deixo a vida como deixa o tédio

Do deserto, o poento caminheiro- Como as horas de um longo pesadeloQue se desfaz ao dobre de um sineiro
Enfim te vejo! – enfim posso,

Curvado a teus pés, dizer-te,Que não cessei de querer-te,Pesar de quanto sofri.Muito penei! Cruas ânsias,Dos teus olhos afastados,Houvera-me acabrunhadoA não lembrar-me de ti.
Dentre o chorar dos trêmulos violinos

Por entre sons dos órgãos soluçantesSobem nas catedrais, os neblinantesIncensos vagos, que recordam hinos.
Quanto sofro por ti! Nas longas noites

Adoeço de amor e de desejosE nos meus sonhos desmaiando passaA imagem voluptuosa da ventura...Eu sinto-a de paixão encher a brisa,Embalsamar a noite e o céu sem nuvens...
Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi:Sou filho das selvas, Nas selvas cresci;Guerreiros, descendoDa tribo tupi.
8 – Eu sou trezentosEu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,As sensações renascem de si mesmas sem repousoOh espelhos, oh! Pirineus! Oh caiçaras!Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!
Abraço no meu leito as milhores palavras,E os suspiros que dou são violinos alheios;Eu piso a terra como quem descobre a furtoNas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos!
Eu sou trezentos, sou trezentos e cincoenta,Mas um dia afinal eu toparei comigo...Tenhamos paciência, andorinhas curtas,Só o esquecimento é que condensa,E então minha alma servirá de abrigo.(Mário de Andrade)
São características do Modernismo presentes nas estrofes de Mário de Andrade, exceto:
Valorização do jeito brasileiro de falar.
Fuga a qualquer idealização, através da colocação do eu-poético no cotidiano.
Ruptura com os limites entre o prosaico e o poético.
Preocupação com os modelos prévios de poesia.
Indistinção entre temas poéticos e não poéticos.


9 – Todas as afirmações dizem respeito à obra A morte e a morte de Quincas Berro d’Água , de Jorge Amado, exceto:
A razão de o título repetir a palavra morte está no próprio texto, em seu primeiro capítulo, onde se percebe anterior à física uma morte moral a partir de “quando se tornara desgosto e vergonha para a família”.
Temos neste livro a essência do Jorge Amado esquerdista politizado que assinou produções nas décadas de 30 e 40.
Embora em segundo plano verifique-se a rejeição do autor à vida considerada decente pela família burguesa, Jorge Amado, porém, em plano principal não quis questionar nem denunciar, apenas fez rir – contador de histórias pitorescas da Bahia.
O autor não se põe na condição de observador que redige na terceira pessoa, como quem colhe fatos e suas interpretações sem neles interferir.
Apresenta humor irônico ao contrapor, de forma maniqueísta, a família e os amigos de Berro d’Água.


10 – O retirante explica ao leitorQuem é a que vai:
- O meu nome é Severino,Não tenho outro de pia.Como há muitos severinos,Que é santo de romaria,Deram então de me chamarSeverino de Maria;
O excerto acima trata-se do início de Morte e Vida Severina. Marque a alternativa que não corresponde a essa obra.a) O autor é João Cabral de Melo Neto, modernista da terceira fase.b) Trata-se de um texto do gênero lírico.c) Apresenta denúncia social, partindo da análise da situação do homem nordestino, o retirante.d) É uma obra conduzida pelo racionalismo e pela lógica, características marcante de João Cabral de Melo Neto.e) Prima pela composição, a forma.
GABARITO DE LITERATURA1 – B 3 – B 5 – D 7 – C 9 – B2 – D 4 – E 6 – C 8 – D 10 - B

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